Ilegal

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Acabo de assistir a Ilegal, documentário brasileiro. Devo ser a primeira pessoa (do mundo!) a escrever sobre ele após a estreia. Mas não é por isso que eu corri para o computador. Estou agora teclando, uns 30 minutos depois de a sessão de estreia no cinema acabar, porque o filme me impressionou. Produzido pela revista Superinteressante, é daqueles longas que precisam ser vistos. Não pela qualidade técnica (bacana, diga-se de passagem), mas especialmente pela lição que apresenta.

“Se desse na folha do abacaxi, a gente usava abacaxi. Mas não dá”. A frase, da mãe de uma criança com síndrome de Dravet (doença que causa um tipo de epilepsia grave e sem cura), resume bem o sentimento das mulheres e homens que aparecem na tela pedindo que seus filhos, ou eles próprios, tenham direito à saúde. Essencialmente são mães que querem utilizar a única substância que lhes dá esperança de controlar as convulsões nos filhos: o Canabidiol, oriunda da Cannabis, planta da maconha.

Não são uma convulsão aqui e outra ali, algo já grave. São 60, 80 por semana. Faça a conta! Imagine o que é isso! Em média, uma a cada duas ou três horas enquanto a criança não dorme de madrugada.
Todo dia.

Apesar de a maconha e seus derivados não serem medicamentos definitivos, muita gente tem experiências bem sucedidas. E não discutir o assunto é um atraso tremendo.

Ilegal aborda o bem terapêutico do Canabidiol (e um pouco do THC, também originário da maconha, mas com potencial de dependência), mas é um pedido ao fim da burocracia e do preconceito.

Os diretores Tarso Araujo e Raphael Erichsen não poupam o espectador. E fazem muito bem! As cenas de convulsões na pequena Anny, de 5 anos, mostram um milésimo do que sua mãe, Katiele, e seu pai, Norberto Fischer, sofrem – e já impressionam.

A burocracia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de assustar. Com muito esforço, até é possível entender o pé atrás do órgão federal, pois há poucos estudos a respeito dos benefícios do Canabidiol, mas o que o filme mostra é que algo precisa ser feito. E só quem está agindo são as famílias de doentes ou os próprios doentes. O governo federal, sem doente em casa, dorme.

O documentário tem o mérito também de ir a Brasília. Deputados federais aparecem conversando com as famílias. Mas nada anda. É só papo.

Nascido de uma reportagem de Tarso Araujo para a Superinteressante, que virou um curta-metragem chamado Ilegal , o longa foi realizado em poucos meses. A urgência dos envolvidos no projeto é auto-explicativa: crianças estão sofrendo e morrendo.

Assistir ao filme é o que os diretores pedem, para que um movimento de repensar a maconha medicinal no Brasil crie uma onda. Também é o que eu indico. Vá à sala escura. Abra a mente com cinema de qualidade.

Ilegal


CLASSIFICAÇÃO: PARE TUDO E VÁ VER!


Ficha técnica:


Direção: Tarso Araujo e Raphael Erichsen

Gênero: Documentário

Ano: 2014

Categorias: Documentário
Tags: Ilegal

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