Um Time Show de Bola

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Juan José Campanella é o diretor e roteirista de alguns dos melhores filmes argentinos: O Filho da Noiva, O Segredo dos Seus Olhos e Clube da Lua, por exemplo. Agora ele investe pela primeira vez na animação, com Um Time Show de Bola. E mais uma vez acerta, mesmo que de maneira não tão genial.

O futebol é o ponto que leva o filme à nostalgia. É uma característica das obras de Campanella que mais uma vez o espectador acompanha. No início do desenho temos pai e filho em uma relação difícil, até que o pai decide contar ao menino uma história. Volta-se no tempo e, em um daqueles cafés antigos com janela de vitrais na porta, há uma mesa de metegol (o nome original do longa), o pebolim (ou totó, ou fla-flu) aqui no Brasil, cujo campeão inconteste é o jovem introvertido Amadeo.

Anos depois de derrotar no jogo o garoto mais metido da vizinhança, Amadeo vê o rival retornar à cidade, agora como um astro mundial do futebol (de campo mesmo) determinado a destruir o café e a mesa de pebolim e construir no lugar um gigantesco estádio.

Pronto, está plantada a semente para a cidade toda se mobilizar contra o megaempreendimento, para a defesa dos tempos passados, da nostalgia.

A graça do filme são os jogadores do pebolim, que ganham vida para ajudar Amadeo em sua aventura. Campanella pisa na bola em falhas do roteiro. E mesmo sendo uma animação poderia haver mais cuidado com os detalhes. É a principal falha do longa, que não explica como todos os “atletas do pebolim” ganham vida, por exemplo.

Cada pequeno jogador tem uma personalidade. E com eles vem um humor típico sul-americano, com piadas de boleiros e campeonatos daqui (eles querem jogar a Libertadores, não qualquer outra disputa). A risada rola solta em algumas partes – pelo menos para os amantes do futebol -, como quando os jogadores de pebolim se benzem.

Boa sacada é também a aparição de patrocinadores semelhantes aos do mundo real (Essa, em vez de Esso, é um deles). E a homenagem ao cinema – com os temas musicais e as cenas parecidas a 2001 – Uma Odisseia no Espaço e Apocalipse Now – também encaixa bem.A qualidade técnica não deixa a desejar para qualquer estúdio de animação.

Apesar de investir em uma animação sobre futebol logo após receber o Oscar de Filme Estrangeiro por O Segredo dos Seus Olhos, Campanella diz que não é torcedor do esporte. Talvez por isso tenha cometido um “erro”: a camisa dos minijogadores que ajudam Amadeo tem as cores verde e amarelo. “Percebi tarde demais que eram as cores do Brasil”, disse o cineasta à Folha de S. Paulo. “Havia um brasileiro na minha equipe e ele disse: Ah, que legal, as cores da seleção verde-amarela. Morri de medo que ficassem com raiva na Argentina”, completou.

Não ficaram. O filme estourou nas bilheterias argentinas, com mais de dois milhões de espectadores por lá. 

Pode ter sido sem querer, mas a escorregadela inclui o goleador do time falar somente na terceira pessoa, como o nosso Pelé. Será?

Um Time Show de Bola / Metegol


CLASSIFICAÇÃO: DUCA


Ficha técnica:
Ano: 2013
Duração: 103 min.
Gênero: Animação
Direção: Juan José Campanella
Roteiro: Juan José Campanella, Roberto Fontanarrosa, Gastón Gorali e Eduardo Sacheri

Categorias: Animação

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