A Hora Mais Escura

A Hora Mais Escura

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4 out of 5
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O que esperar de um filme que já se sabe o fim? A Hora Mais Escura conta a saga que termina na morte de Osama Bin Laden. E consegue provar que um bom filme se sustenta apesar da previsibilidade. Bom, não. Ótimo filme.

Kathryn Bigelow, que ganhou o primeiro Oscar de Direção a uma mulher, conseguiu se superar. A Hora Mais Escura é bem melhor que Guerra ao Terror, que lhe rendeu o prêmio. Cotado para abocanhar tudo no Oscar de 2013, com cinco indicações, saiu só com Edição de Som (realmente primorosa). Injustiça.

O filme começa com uma tela preta, em que se ouve telefonemas de vítimas dos atentados ao World Trade Center, ao Pentágono e ao Voo United 93. O impacto visual é zero, mas o emocional já pega. Seria esperado que a caçada a Bin Laden rendesse cenas de ação. Mas este não é o foco do longa. As cenas finais (demais!) são as únicas a mostrar confrontos, se a invasão à casa do terrorista pode ser chamada de confronto. Mostram a percepção de quem estava lá, ou seja, quase nenhuma, já que aconteceu à noite, no breu. E o escuro é muito bem utilizado. É “a hora mais escura” – ou zero dark thirdy (meia-noite e meia escura), no título original. O resto do longa é tensão, negociações, gana por matar o terrorista.

Muito se falou que o filme seria uma apologia à tortura. Pode até ser. Mas a intenção não é mostrar como o exército dos Estados Unidos deve tratar os acusados de terrorismo, mas, sim, apontar uma realidade: a tortura foi marca do governo de George W. Bush. Aliás, o presidente norte-americano Barack Obama aparece bem na fita, nos detalhes, condenando a tortura e a impedindo.

Interpretada pela estonteante Jessica Chastain, a agenta da CIA Maya está no centro da jornada. Ela é enviada ao Paquistão e por anos persegue pistas sobre o desaparecimento de Bin Laden. Ela é todo o filme. Os personagens secundários praticamente não têm importância. É quase um monólogo, com apoio de gente que entra e sai de cena. Mas, acredite, Jessica segura a onda.

Embora mantenha a expressão angelical e os cabelos ruivos do péssimo A Árvore da Vida, Jessica surge com força. Em um meio marcado por atentados e torturas, a presença feminina é um belo (literalmente) contraponto.

Praticamente não há música no filme – só “de leve”, em momentos adequados. Em muitas partes a ausência de som é mais impactante que o tiroteio ou a explosão. É certo que no começo, quando o espectador ainda não captou o plano geral, parece que a chatice vai dominar. Mas a sensação passa rapidamente.

Kathryn Bigelow, que jura ter baseado a obra em fatos reais, acertou em cheio. Ela e o atirador que matou o homem do 3º andar.

A Hora Mais Escura / Zero Dark Thirty 


CLASSIFICAÇÃO: DUCA 


Ficha técnica:
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke e Joel Edgerton
Duração: 158 min.
Ano: 2013
Gênero: Suspense
Roteiro: Mark Boal

Categorias: Suspense

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