O Poderoso Chefão

O Poderoso Chefão

Rating

5 out of 5
Pare tudo e vá ver!

Total

5
5 out of 5

Acabei de receber de aniversário a caixa com os três capítulos de O Poderoso Chefão. Assisti a todos de supetão, na ordem correta. É difícil escrever algo novo sobre filmes já tão vistos – e amados por milhões. Talvez a melhor forma seja relatar o quão rápido passam as 9 horas e 15 minutos de duração dos três longas. A saga da família Corleone no comando da máfia dos estados americanos de Nova York e Nevada é uma mistura de arte com sucesso comercial, um marco nas obras sobre a máfia, o auge dos gângsteres no cinema.

Começando pelo começo. De 1972, o primeiro filme de Francis Ford Coppola (diretor e co-roteirista, junto com Mario Puzo, que escreveu o livro de origem) é magistral. Com um elenco estelar, junta o que de melhor havia em Holywood, um Marlon Brando no auge da carreira (talvez só superado por seu personagem em Apocalypse Now), com uma então nova geração que depois seria reconhecida (e conhecida) por todos: Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton e Talia Shire (irmã de Coppola, mais conhecida como a Adrian esposa de Rocky Balboa), só para ficar em alguns exemplos.

Em quase 3 horas, o espectador acompanha a disputa entre os Corleone, capitaneados pelo patriarca Don Vito, o Godfather (o Padrinho – Marlon Brando), e Sonny, um mafioso que ganha espaço ao sair da tradicional exploração de jogos para o tráfico de drogas.

Há uma glamourização da máfia (palavra pouco permitida por Copolla). São assassinos, mas com estilo. E isso deixa o espectador na dúvida, tentando justificar os atos atrozes.

Coppola ousa encarar uma história complexa em um ritmo de filme de arte, sem pressa. O roteiro segue uma transição semelhante à do crime organizado que retrata. O cavalheirismo do patriarca vai deixando espaço para a violência brutal. Os momentos de horror parecem ser mais contundentes devido aos trechos mais lentos entre eles. Não há qualquer personagem poupado. Todos estão propensos a morrer a qualquer momento.

Cenas entraram para a história, como a de uma cabeça de cavalo ensanguentada na cama de um desafeto dos Corleone. Também frases estão na posteridade, como “faça uma oferta que ele não pode recusar”.

Seja pelas cenas, seja pelos diálogos, O Poderoso Chefão jamais força a barra. Não há peça que não encaixe neste primeiro episódio.

O longa teve 11 indicações ao Oscar, vencendo em Filme, Roteiro Adaptado e Ator, este último a Marlon Brando, que se recusou a receber a estatueta em protesto contra suposta discriminação do governo e de Hollywood aos índios americanos (Brando enviou em seu lugar uma atriz que se fez passar por índia americana).

Com uma história passada entre 1945 e 1955, o filme não envelheceu. Mas isso é muito mais pela qualidade de Coppola, Puzo e o elenco do que pela saga em si. Aliás, melhor do que Brando estão Al Pacino e Robert Duvall, os dois espetaculares. O silêncio que aplicam em cenas fala por eles.

Nas sequências é possível ver que nascia ali um estilo, que Coppola não abriria mão. O começo sempre com algum tipo de festa, o personagem cerebral suplantando o impulsivo, os assassinatos nos momentos de calmaria…

Prepara-se: desde a primeira tomada, com o pedido de um açougueiro para vingar a violência contra sua filha, até uma morte solitária no capítulo final, é difícil desgrudar os olhos da tela.

 

O Poderoso Chefão / The Godfather 

CLASSIFICAÇÃO: PARE TUDO E VÁ VER! 

Ficha técnica: 
Duração: 177 min.
Gênero: Policial
 
Direção: Francis Ford Coppola
 
Roteiro: Francis Ford Coppola e Mario Puzo, autor do livro homônimo
 
Elenco: Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton, Sterling Hayden, Richard Castellano, John Cazale e Talia Shire

Categorias: Ação

Sobre o Autor

Escreva um Comentário

Seu endereço de e-mail não será divulgado.
Campos obrigatórios*