O Segredo dos Seus Olhos

O Segredo dos Seus Olhos

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Viver uma vida vazia. Olhar sobre os ombros e perceber que as escolhas erradas que determinaram anos de um nada latente estão ali, prostradas, ao alcance das nossas mãos, para serem transformadas a qualquer momento e darem algum sentido à vida. Não, o argentino O Segredo dos Seus Olhos não se assemelha a nenhum enlatado americano que fez você chorar, remoer feridas e ter vontade de sair por aí transformando o seu mundinho em qualquer coisa que valha realmente a pena. Ele derruba, sem qualquer esforço, qualquer produção americana sobre esse troço complicado de dar sentido às coisas.

Nós, que falamos de filmes com a propriedade com que discutimos sobre galinhas e porcos, temos como talvez único e principal termômetro nossas próprias impressões, baseadas na meia dúzia de bobagens que assistimos por aí. Então, embasada nas minhas meias dúzias, digo sem medo de errar a mão: O filme é sensacional e faz a gente calar a boca com as próprias mãos pra não sair entoando no cinema gritinhos ridículos de “uhuuuuuuuu” (aquele que você dá sozinho em casa acompanhado de passinhos de felicidade).

Deixemos as minhas reações, bem particulares, à margem desta discussão, mas a verdade é que coloquei a mão na boca, tive vontade de aplaudir, chorei, ri demais e sai do cinema ligando pro meu irmão (acordando ele) e mandando ele ir imediatamente assistir ao filme. Sim, no domingo, 2h da manhã. Vamos aos motivos, então:
Não fosse a brilhante direção de Juan José Campanella, que também comanda o roteiro, no rol dos atores fica difícil definir quem é mais fantástico. E pra quem não conhece o trabalho de Campanella, basta fazer referência ao “Filho da Noiva”, cuja direção também é dele e cujo brilhantismo é bem semelhante.

O filme conta a história de um funcionário público aposentado que, tentando curar as feridas do passado e apagar os rabiscos que transformaram sua vida num vazio insuportável, resolve escrever um livro, tendo como ponto de partida uma história de assassinato que marcousua carreira no Tribunal Penal de Buenos Aires.

Protagonizado por Ricardo Darín, Benjamín Espósito tenta remendar e entender suas escolhas. Notoriamente erradas. Ao lado do parceiro de trabalho e amigo Pablo Sandoval (Guillermo Francella, que fez carreira na comédia, mas dá um banho em dramaticidade e também humor), Espósito se dedica a tentar desvendar um crime de estupro seguido de assassinato que irá coolocá-lo em contato com descobertas surpreendentes, a respeito de si mesmo.

Sandoval, que tem sérios problemas de alcoolismo, é também um dos responsáveis pelas cenas mais hilárias e profundas do filme. A tentação de Espósito fica por conta do desejo e paixão que sente por Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil, atriz revelação), sua superior no Tribunal. Uma relação que marcará para sempre sua vida.
A fotografia, as câmeras. Ah, as câmeras, sempre em segundo plano, evidenciando o fato de que as coisas quase nunca são o que parecem ser. Brilhante direção.

O filme consegue um feito difícil: prender você ao longo dos 127 minutos e quando ele parece estar irretocável, você será surpreendido por acontecimentos que o deixarão mudo pelos 10 minutos que sucedem a subida das letrinhas na tela. A trilha sonora é fantástica a ponto de fazê-lo sair cantarolando por vários dias. Ok, talvez você não seja tão ridículo, mas é realmente muito boa.
“Vai ser muito complicado”.
“Eu sei, mas não me importo”.
Porque chegou a hora de ser feliz, né?
Assistam, eu imploro!

FICHA TÉCNICA
Diretor: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago, Javier Godino, Guillermo Francella, José Luis Gioia, Carla Quevedo, Bárbara Palladino.
Produção: Mariela Besuievski
Roteiro: Juan José Campanella, baseado no romance La pregunta de sus ojos de Eduardo Sacheri
Fotografia: Félix Monti
Trilha Sonora: Federico Jusid e Emilio Kauderer
Duração: 127 min.
Ano: 2009
País: Argentina
Gênero: Romance
Cor: Colorido
Distribuidora: Europa Filmes

CLASSIFICAÇÃO: PARE TUDO E VÁ VER

Categorias: Romance

Sobre o Autor

Comentários

  1. Marcelo
    Marcelo 3 maio, 2011, 21:46

    Hitchcock iria se orgulhar desse. E a cena do campo de futebol é um dos meus planos-sequências favoritos.

  2. Danilo Vicente
    Danilo Vicente 3 outubro, 2010, 05:24

    Gostei bastante. Muito bom. O melhor da safra argentina – O Filho da Noiva eh muito bom também. Tem todo o rol de um grande filme. Sandoval, o parceiro, eh o melhor. Gargalhei com ele. Mas todo mandam bem.

  3. Diana Medeiros
    Diana Medeiros 10 maio, 2010, 13:42

    Ouvi declarações inflamadas sobre esse filme. Coisas como "é o filme da minha vida". Não achei tudo isso. É um bom filme, mas tem soluções rápidas em alguns momentos, o que para mim é uma fraqueza no roteiro. Em termos técnicos (fotografia, luz, enquadramentos) é lindíssimo. Los hermanos estão mesmo anos luz à nossa frente.

  4. Renata Santos
    Renata Santos 26 abril, 2010, 01:10

    Vc escreve tão bem que quase não estou indo ver o filme. Medo. Medo de ele não corresponder ao seu lindo post.
    Bjasso.

  5. Danilo Vicente
    Danilo Vicente 25 abril, 2010, 21:18

    Incrível. Data marcante. Em 25 de abril Flaviz Braz voltou!!!!

    Vou ver o filme. Deve ser muito bom mesmo.

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