Digger
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Alejandro González Iñárritu acerta novamente. Em Digger, o diretor entrega um filme provocador, desconcertante e absolutamente fora do convencional. Mais uma vez, consegue algo que poucos cineastas fazem tão bem: levar o incômodo para a sala de cinema, tirando o espectador de sua zona de conforto.
A história acompanha um poderoso bilionário que, depois de provocar uma catástrofe ambiental, tenta desesperadamente consertar a situação, não para melhorá-la, mas, sim, para ficar bem na fita. Ele quer convencer o mundo de que é capaz de salvar a humanidade. A partir dessa premissa, Iñárritu constrói uma sátira ácida sobre poder, ambição, hipocrisia e a maneira como a realidade pode ser manipulada por aqueles que a controlam.
O filme tem muito de uma peça de teatro levada ao cinema, e isso é proposital. Há exagero nas interpretações, situações absurdas e uma encenação que deseja justamente o quanto a própria vida real se transformou em um grande espetáculo. O diretor, inclusive para o o teatro, literalmente, em determinado momento do filme.
Tom Cruise está muito bem, distante de seus papéis habituais, abraçando um personagem excêntrico e excessivo, perfeitamente integrado à proposta do diretor. John Goodman abrilhanta a produção como um excêntrico presidente dos Estados Unidos… não muito longe do atual, Donald Trump.
Digger é um filme louco. Por vezes caótico e exagerado. Mas é justamente nessa loucura que está sua maior qualidade. Iñárritu não procura agradar ou facilitar a experiência do público. Prefere provocar, incomodar e desafiar. E consegue. Um filme estranho, ousado e muito bom, que permanece na cabeça depois que a sessão termina.
Digger
CLASSIFICAÇÃO: PARE TUDO E VÁ VER!
Ficha técnica:
Ano: 2026
Direção: Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Nicolás Giacobone e Sabina Berman
Elenco: Tom Cruise, Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons
Duração: 129 min.
Gênero: Comédia

