Nuremberg
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Como nasceu o Tribunal de Nuremberg, que julgou os principais líderes nazistas (vivos) depois da Segunda Guerra Mundial? E os nazistas tinham algo de diferente que fizeram criar e implantar a maldade? É isso que Nuremberg, filme com Russell Crowe e Rami Malek, traz à telona.
O longa, aliás, poderia se chamar “O nazista e o psiquiatra”, pois é baseado no livro com este nome, de Jack El-Hai. E em 80% do seu tempo retrata exatamente a relação entre os dois personagens. O psiquiatra americano Douglas Kelley (Malek) é encarregado de determinar se a cúpula nazista apreendida no fim da Segunda Guerra está apta a ser julgada por seus crimes de guerra. Durante sua missão, Kelley se encontra em uma disputa intelectual com o braço direito de Hitler, o segundo na hierarquia nazista, Hermann Göring (Crowe).
Além de tentar entender a mente de Göring, o filme é interessante por mostrar a montagem do tribunal, sob o comando do juiz Robert H. Jackson (Michael Shannon). A ideia de um tribunal penal internacional ainda não existia; simplesmente não havia um modelo para julgar um regime por crimes contra a paz, por mortes, por conspiração, pelo extermínio em massa… ou pelo holocausto.
O elenco estelar manda bem, mas a melhor entrega é de Leo Woodall , que interpreta Howie Triest, o soldado que apoia o psiquiatra em sua missão com o nazista. Mais quieto, menor no início, o personagem cresce com o desenrolar da trama.
Russel Crowe está em forma como o arrogante, inteligente e manipulador Göring, que se entregou ao exército americano em vez de fugir ou se matar, como seu chefe Adolf Hitler e outros da liderança nazista. Rami Malek está forçado em alguns momentos, mas nada que desabone sua entrega no geral.
O roteiro de James Vanderlbilt, que também dirige o longa, por vezes deixa dúvida da correção em relação aos fatos históricos. Mostra a rendição de Göring como uma surpresa – ela na verdade foi negociada – e cria uma cena entre Jackson e Pio XII (Giuseppe Cederna) que reforça a ideia de que o papa nada fez para salvar os judeus, algo controverso, desmentido por muitos.
O site Cricriticos, em texto de Edeli Fortunato, traz uma ótima lista de fatos errados do filme: só clicar aqui.
Vanderbilt usa seu roteiro para apontar o dedo para os Estados Unidos ( e outras nações) quando fala dos riscos da ascensão do autoritarismo. Um acerto.
Ainda com com erros sobre os fatos reais, no contexto geral é um grande filme, juntando uma abordagem histórica e uma avaliação psíquica dos nazistas – e não só deles, mas de grupos que têm o poder nas mãos.
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Nuremberg
CLASSIFICAÇÃO: DUCA
Ficha técnica:
Elenco: Russel Crowe, Rami Malek, Michael Shannon e Leo Woodall
Ano: 2026
Duração: 148 min.
Gênero: Drama
Direção: James Vanderlbilt
Roteiro: James Vanderlbilt

