A Favorita

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2.5 out of 5
ATÉ VALE O INGRESSO

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É incrível como histórias não faltam para o cinema. Este A Favorita, indicado ao Oscar de 2019 em dez categorias, traz uma rainha poucas vezes lembrada pela Inglaterra de tantos reinados. Anne, ou Ana na versão em português, teve apenas 12 anos de comando, mas foi pouco mais de uma década de intensa agitação.

Ana foi a primeira rainha da Grã-Bretanha, quando a Escócia foi incorporada ao reino. Este fato é ignorado pelo roteiro, que foca em sua relação com duas assistentes, as duas candidatas a seu favoritismo.
Inicialmente ela tem em Lady Sarah (Rachel Weisz) sua grande apoiadora. A então favorita usa a amizade para influenciar decisões importantes do país. Se Sarah é, digamos, aproveitadora, a rainha Ana é uma mimada e bipolar. E isso faz com que os políticos até gostem de haver alguém com discernimento tomando decisões, mesmo que sem a chancela da coroa.

O cenário muda com a chegada de Abigail (Emma Stone), uma prima distante de Sarah que busca emprego no castelo. Em um jogo de inteligência, Abigail vai ganhando espaço. Sarah percebe, mas por vezes não consegue agir. Mesmo porque a rainha pode ser bipolar e mimada, mas não é burra.

O feminismo é uma força do filme de Yorgos Lanthimos, que utiliza efeitos para dar um toque de modernidade, com ângulos diferentes de câmera e efeitos sonoros no estilo filme de terror. Não se engane se parece existir uma “forçada de barra” em ter mulheres mandando e desmandando em homens no começo do século 18. De acordo com a historiadora Anne Somerset, em entrevista à Galileu, Ana “foi uma governante séria e deixou um legado pouco lembrado hoje em dia pelos britânicos” e as duas assistentes realmente chefiavam a Grã-Bretanha de então. Aliás, Somerset critica a forma de demonstrar a rainha como mimada e boba.

Um ponto crucial do longa, não atestado historicamente, é o triângulo amoroso que Ana, Sarah e Abigail formam. No filme as duas favoritas mandam os escrúpulos para o beleléu e vão para a cama com a monarca.

Tudo isso se desenrola durante Guerra da Sucessão Espanhola (1702-13), um conflito travado entre Grã-Bretanha e França. Ambos países discordavam a respeito de quem deveria assumir o trono da Espanha.

É interessante conhecer esse ponto histórico tão rico da Grã-Bretanha. Porém, falta ao longo “algo mais”. Depois de 30 minutos a disputa entre as assistentes passa a ser mais do mesmo. E pouco se explora o mundo à volta delas. Uma dá golpe na outra. E assim vamos até o final.

A interpretação de Olivia Colman é destaque. Não á toa levou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz (no Oscar, as outras nove indicações foram derrotadas).

O filme cresceria se pudesse sair das sórdidas artimanhas das favoritas para abordar um pouco mais da rainha. Ela, por exemplo, perdeu 17 filhos, em processos de gravidez que não foram adiante ou após o nascimento. E isso é demonstrado com um efeito de colocar 17 coelhos sob seu cuidado em seu quarto. Poderia mais.

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A Favorita / The Favourite

CLASSIFICAÇÃO: ATÉ VALE O INGRESSO

Ficha técnica:
Direção
: Yórgos Lánthimos
Elenco: Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone
Ano: 2019
Duração: 120 min.
Gênero: Drama

Tags: A Favorita

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