Michael
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Vou logo expor os problemas que vejo em Michael, a cinebiografia de Michael Jackson, rei do pop. Estes pontos, porém, não tiram méritos, como engatar uma música atrás da outra (o que traz ao filme um ritmo para fãs adorarem), as ótimas atuações do elenco e uma produção apurada.
O primeiro, e maior erro, é um roteiro cheio de furos. Michael cobre o período de emancipação do artista, que vai do sucesso do Jackson 5 nos anos 1960 até o sucesso estrondoso em carreira solo nos anos 1980. É a jornada essencial do sucesso, com os grandes hits da carreira.
Estrategicamente, ficam fora os problemas judiciais que viriam a reboque da mudança para o Rancho Neverland a partir de 1988. E produtores do filme e o espólio do cantor sublinham na divulgação que a fase noventista de Jackson será tema de um segundo longa-metragem.
Mas os problemas só devem vir se eles ouvirem as críticas, pois o que se vê em Michael é um quase santo, preocupado com as crianças, com o mundo, ingênuo, benfeitor.
Os futos no roteiro aparecem cedo em cena. Cadê Janet Jackson? Simplesmente limaram uma irmã da história do artista. Tudo bem ela não ter liberado a exploração de sua personagem, justificativa exposta pela produção, mas nem uma criança sem nome passando correndo nas cenas?
Onde está We Are The World, de 1985? O filme, que termina em 1988, ignora um dos mais importantes feitos de Michael Jackson.
E o que são as persistentes interações do artista com crianças com câncer? Tentativa de justificar seu controverso histórico com pendengas judiciais ligadas a crianças?
E Quincy Jones, que aparece em tão poucas cenas? É difícil entender a razão.
No fim das contas, o roteirpo faz com que Michael Jackson pareça um bobo em cena. Um bobo com um tino musical de outro mundo, um dançarino único, com um pai terrível.
O elenco entrega bem. Jaafar Jackson é muito parecido com seu tio Michael. Colman Domingo interpreta Joe Jackson, o pai, daquela maneira que dá raiva, no bom sentido. Os dois seguram nas costas o filme.
Mike Myers entrega uma cena icônica, de um executivo da indústria fonográfica. Já Miles Teller traz um outro executivo, pequeno.
Vale assistir, mas poderia ser tão melhor…
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Michael
CLASSIFICAÇÃO: ATÉ VALE O INGRESSO
Ficha técnica:
Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Miles Teller e Klendrick Samson
Ano: 2026
Direção: Antoine Fuqua
Gênero: Drama
Duração: 130 min.

