Um Completo Desconhecido
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A obra e a vida de Bob Dylan realmente merecem um filme. Poucos artistas tiveram tanta influência sobre a música e a cultura de seu tempo, e Um Completo Desconhecido consegue mostrar parte dessa trajetória sem cair na armadilha de tentar contar tudo. Conta bastante, é verdade.
A história acompanha a chegada de um jovem Dylan a Nova York, no início dos anos 1960, e sua rápida transformação – devido ao talento – em um dos principais nomes da música folk americana. Mostra também suas relações com outros artistas, os conflitos pessoais e, principalmente, a inquietação de alguém que não aceitava ficar preso às expectativas criadas em torno de si.
Timothée Chalamet vai muito bem – ele, como as outras sete indicações, ficou a ver navios no Oscar. Consegue transmitir a personalidade enigmática, por vezes arrogante e contraditória, de Dylan, sem transformar sua interpretação em uma simples imitação. As cenas musicais são especialmente boas e ajudam a mostrar a força de um artista que revolucionou a música pelo que cantava e pelo que trouxe de novo.
O filme também acerta ao não tentar transformar Dylan em um herói. Mostra suas contradições, sua dificuldade de lidar com as pessoas e sua obsessão pela liberdade artística. É justamente essa complexidade que torna o personagem interessante e a narrativa mais rica.
Um Completo Desconhecido funciona como o retrato de um artista que se recusou a seguir o caminho que os outros haviam escolhido para ele. E que, ao fazer isso, ajudou a mudar a história da música.
Um Completo Desconhecido / A Complete Unknown
CLASSIFICAÇÃO: DUCA
Ficha técnica:
Ano: 2024
Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold e Jay Cocks
Elenco: Timothée Chalamet, Edward Norton, Elle Fanning, Monica Barbaro, Boyd Holbrook e Scoot McNairy
Duração: 141 min.
Gênero: Drama

